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Ajuda no início da jornada 14/02/2007
DIONARA MELO - Zero Hora

Se você é empreendedor, tem uma idéia na cabeça e ainda não abriu o próprio negócio, o caminho para começar pode ser uma incubadora empresarial. No Rio Grande do Sul há 83, a maior parte no segmento de tecnologia.

Ligadas normalmente às universidades ou aos institutos de pesquisa, esse tipo de serviço ao empreendedor está em expansão no Brasil. A proposta surgiu no início da década de 80 e cresce 20% ao ano, em média, afirma o diretor da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Paulo Roberto de Castro Gonzalez. As incubadoras são subdivididas, em geral, em base tecnológica, tradicionais e mistas.

- As incubadoras foram criadas para dar suporte e melhorar a gestão das empresas. As que nascem ali crescem em ambiente propício para o desenvolvimento - diz Gonzalez.

Estudos apontam que a mortalidade de uma incubada é inferior a 6% nos primeiros três anos de vida, conta o diretor. Fora desse ambiente, entre 30% e 40% dos negócios fecham as portas, informa o Sebrae.

Uma dos motivos para essa diferença, segundo Olivério Ferreira, coordenador do Núcleo de Incubadoras do Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo: dentro das incubadoras se aprende a administrar o negócio, reduzindo as chances de erros primários.

Na Raiar, incubadora de base tecnológica da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), por exemplo, empreendedores contam com serviços como assessoria para o desenvolvimento do produto e marketing, entre outros. Para a encarregada da Raiar, Marinês Audy, dar os primeiros passos nesse ambiente tem outra vantagem: as oportunidades muitas vezes vão até você. Negócios podem se dar entre as próprias incubadas ou com empresas externas em busca desse tipo de empreendimento para fazer parcerias.

Já graduada

A certeza de que gostaria de trabalhar reutilizando resíduos industriais norteou o caminho de Karin Wittmann Wilsmann, de Dois Irmãos.

O prazer descoberto na faculdade de Arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo, empurrou a profissional ao Núcleo de Incubadoras da instituição. Em 2000, com o apoio de especialistas, Karin criou a Gueto Ecodesign de Produto, onde transforma retalhos de couro em obras de arte, batizadas de pano gueto. A originalidade das peças encantou empresários.

- O pano gueto reveste cadeiras no Dado Bier e móveis da Thonarte - orgulha-se Karin.

Depois de dois anos incubada e mais um como graduada externa - nome que se dá às empresas que deixaram a incubadora -, Karin e a irmã Solange Wittmann, com quem divide a sociedade, estavam prontas para trilhar sozinhas o caminho do sucesso.

No recomeço

Lucas Schenk Michaelsen, Wellington Luiz de Oliveira e Ricardo Saar abriram uma empresa de soluções tecnológicas em fevereiro do ano passado, em Porto Alegre. Sete meses depois, quando ingressaram na Incubadora Raiar, vinculada à Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), mudaram o rumo. Fecharam as portas e recomeçaram a Sthima Soluções Tecnológicas na Raiar.

- É bem mais fácil entrar no mercado se você tem o nome da sua empresa vinculado a uma incubadora como o Tecnopuc (Parque Tecnológico da instituição). As portas se abrem - atesta Michaelsen.

Ainda incubados, os sócios já estão no mercado desenvolvendo soluções e serviços para redes de infra-estrutura, telecomunicações e segurança. Os planos de Michaelsen são audaciosos. Atualmente, conta com dois estagiários, e há a intenção de contratar outros dois. Ele e os colegas querem conquistar o seu espaço e fazer parte do Tecnopuc.

 

Como participar

 

Empreendedor deve procurar uma instituição e concorrer em editais abertos para incorporação de novos projetos.

O processo prevê só a elaboração de um plano de negócios, cujo embasamento técnico é fornecido pelas entidades. Durante o período de pré-incubação, a idéia é transformada em uma empresa juridicamente legal.

Após a aprovação, o negócio passa por um período de pré-incubação, de seis meses. Depois, por dois anos, empresários terão apoio técnico para desenvolver os produtos, prorrogável por mais um ano.

As empresas ficam instaladas dentro de complexos montados para abrigar os projetos e pagam aluguel simbólico pela sala. Em algumas instituições, empresários devem levar mobiliário para trabalhar.

Ao final, quando estiverem prontas para o mercado, as empresas são graduadas.

 

Curso à distância

 

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores está com inscrições abertas para o segundo curso do Programa de Capacitação à Distância. Interessados têm até o dia 19 para se inscrever no curso Introdução à Gerência de Projetos. Podem participar profissionais das incubadoras de empresas e parques tecnológicos da América Latina. Inscrições no site www.anprotec.org.br e informações pelo telefone (61) 3202-1555.